sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Incômodo

O que me incomoda é felicidade que não se pode engarrafar.
Não saber de onde vem, porque vem e como vem.
É não dar nome, rosto ou propósito a isso tudo.
Tento dar delicadeza ao tema, mas é impossível.
Felicidade é bruta. Arrebata.
E que me tome de nocaute...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Vítor

Entre o delisgar da luz e o início dos sonhos, encaminhava-se pesado até sua cama, e ali embarcava em um sono profundo e vazio. Sem culpas.

Vivia diariamente sua rotina, pagando por pecados que sabia não serem seus.


*bm*

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Extraordinário 04 de Janeiro.

Lá vem ela de novo e me pega de jeito.
Felicidade que me arrebata, me joga no chão, me faz seu... completamente seu
Sem defesas, sem ressalvas... Inteiramente.
E eu quero ser inteiro. Quero ser completo.

E aqui estou sorrindo novamente. Sorrindo pro nada
Sorrindo pras paredes que conhecem minhas alegrias, e viram minhas lágrimas
Elas que dividiram nossos momentos, e toleraram minhas amarguras
Que seguraram minhas mãos toda vez em que queria deixar-me perder.

E num suspiro tudo fez-se luz. De repente, não mais que de repente...
E desta vez não termino com a força do ponto final, mas com a continuidade das reticências...

*bm*

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sinalização

O cheiro de hospital inundava o ambiente toda vez em que pensava. Por isso parecia mais sensato limpar sua mente, desde cedo até a hora de dormir.

Ao seu redor sentia na pele o silêncio que reinava em sua solidão. Não havia ninguém que lhe pudesse ajudar. Sentia-se dramática, mas a vida era puro drama. Desde que nascera ao menos. E o que era a vida antes de nascer? Que seria depois que morresse? Nem queria saber. Não interessava.

Sabia ser hermeticamente fechada. Seus sentimentos fermentavam, viravam idéias e em seguida textos. Mas queimava-os, pois não queria revelar-se. Almejava ser descoberta, e ter sua mão tocada por um alguém que a fizesse esquecer, e ao mesmo tempo lembrar que a realidade era um mar de possibilidades. Sabia ser uma placa de "Pare", mas sonhava com o dia em que alguém ignoraria o recado e avançaria.

*bm*

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Di(e)

Cansei e não quero mais estes seus beijos de doçura aspartâmica
Leve daqui esse cansaço e essa falta de vontade
Ignore que já dividi com você meus planos e meu corpo
Seja homem e caminhe esquecendo que eu existo.

Imploda pra longe e carregue esse destempero
Suma e não deixe rastros, ninguém quer te encontrar
Asfalte de frieza esses seus sorrisos cínicos

Porque agora eu quero é amor, não fingimentos
Quero penhascos e muitas quedas (sem tombos)
Quero e vou voar, pois sou invencível.

*bm*

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ode to you

Quero esse toque é seu, mas para mim foi feito
Seus beijos tão doces, tão meus...
Quero seu amor, nossas loucuras
Quero ser a seu lado sem lembrar que há amanhã

E quem falou que é preciso racionalizar o coração?
O meu quer impulsos e o luxo de saber-se seu.
O meu quer explodir de alegria em cada sorriso.

Não entendo esta vida, ou o destino, ou Deus.
Dê o nome que queira. Escolha!
Trouxeram-me o tesouro mais ateu.

Agora não posso deixá-lo partir sem me devastar por dentro
Sinto sua falta como quem sente saudades de um membro violentamente amputado
Complete-me. Faça-me rio corrente e vivo. Perene.
Faça-me feliz

*bm*

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Utilidade pública

Você conhece pessoas que conversam pelo Msn de forma indecifrável?

Você conhece pessoas que falam de forma indecifrável?

Às vezes você sente que está em um país onde sua língua não é falada?

Pois aqui está a solução para essas situações: dicionário miguxês/ Português.

Com três níveis de complexidade: arcaico, moderno e neo-miguxês.

p.s: eu, particularmente, recomendo que você nem tenha esse tipo de pessoa pra conversar.

_Clarissa

terça-feira, 29 de julho de 2008

Os seres dos concursos públicos

O mundo dos concursos públicos é um mundo paralelo. Só quem está dentro há algum tempo consegue entender suas peculiaridades. Nem quem está começando entende bem o que quer dizer cadastro de reserva, fiscal de rendas, autarquias, edital, PGE, TJ, PRF entre outras palavras e siglas nada comuns no dia-a-dia das pessoas normais.


Além de um dialeto próprio, esse universo também abriga seres particulares. Eles habitam qualquer sala de curso preparatório e locais de aplicação de provas. Sem exceção.


_O bombado idiota: homem, entre 18 e 30 anos, grande massa muscular, com altos níveis de anabolizante, baixa quantidade de massa cinzenta, roupas de marca e cordão bem grosso de prata. Possivelmente vítima de pai ou mãe que se cansou de ver o marmanjo deitado no sofá vendo sessão da tarde e comendo Trakinas decretou que se é para ser vagabundo que seja funcionário público. E assim ele foi matriculado no curso com maior anúncio no jornal.


_A modelo de sala de aula: mulher, de 18 a 25 anos (mas sempre tem as retardatárias), muita escova no cabelo, muito brinco, muito cordão, muito tudo pras oito da manhã. Vão para aula cuidadosamente arrumadas, como se fosse sábado à noite. Ficam pouco tempo em sala e muito nos corredores. Possuem um enorme e pesado caderno de algum personagem fofo porém, as páginas não costumam ser usadas. Gostam de andar em duplas. Seu companheiro inseparável costuma ser um telefone celular, geralmente um Motorola V3 Pink, que toca (pelo menos parece) a cada 15 minutos e sempre do outro lado da linha tem alguém que provoca muita, mas muita animação.


_O puxa-saco: ambos os sexos, todas as idades, qualquer estilo. Possuem o hábito de sentar nas primeiras cadeiras e fazer cara de interesse durante toda a aula. Assim que descobrem os gostos e hábitos dos professores, tratam de puxar assunto de agrado dos mestres sempre que possível. Cercam os coitados na hora do intervalo e depois das aulas. Provavelmente sofrem de alguma compulsão advinda dos tempos de escola ou do trabalho, já que em um curso preparatório o professor não influência na prova, muito menos na nota.

_A coroa concurseira: mulher, mais de 40 anos, vida sexual inexistente. Existem duas subdivisões, mas que não fazem grande diferença para a observação: as casadas quem não precisam mais criar os filhos e as divorciadas que precisam entrar no mercado de trabalho para criar os filhos. São muito caprichosas, usam lápis amarelo com borrachinha laranja na ponta e aquelas borrachas de duas cores (que reza a lenda, apaga caneta). Essas senhoras também são muito atentas, prestam uma atenção incrível, fazem muitas perguntas – algumas bem irritantes. Têm um certo pânico de tecnologia, informática e Internet. Empalidecem quando um professor diz que vai deixar o material no site ou que manda pro e-mail de grupo. Mas dá gosto de ver a disposição de voltar a estudar depois de tanto tempo.


_Clarissa - Feliz com a volta!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Estrada

Eu sou uma versão de muitas
Meu corpo é apenas envólucro do vasto universo que comporta
Sou fechado, selado a vácuo
Mantenha-se distante, pois eu explodo
Uma vez iniciada, nada extingue minha ebulição
Sou muitos caminhos sem volta
Bifurcações, encruzilhadas...
Sou mal sinalizado e em péssimas condições
E cuidade: eu mordo!


*bm*

quarta-feira, 26 de março de 2008

Poesia

Tua presença é uma ausência com a qual não me acostumo
Não aceito ter-te em essência e não ver-te os profundos olhos quando imagino teu sorriso
Trazes-me sensações desconhecidas, mas bem-vindas
Quase posso tocá-las de tão reais

Revela-te! Revela teu rosto
Que não quero esquecer-me, não quero esquecer-te
Ama-me! Porque quero tua segurança, quero tua estabilidade
Quero teu mar calmo, pois sou tempestuoso e bravio

Acalma-me com teu toque de seda e teus carinhos celestiais
Com teus beijos, que para minha boca vens guardando
E ensina-me que há poesia, até mesmo onde aparentemente é só escuridão.


*bm*

segunda-feira, 24 de março de 2008

Untitled

Cortaram minhas asas. Não sei cadê.
Me tiraram a liberdade que tanto prezo.
Enganaram-me. Meu livre-arbítrio é forjado.
De leviandade me alimentaram e agora sou vazio.
Minhas palavras repletas de inocuidade e despidas de sentido
O que quero não alcanço pois só quero o que não posso.
O que posso eu rejeito, pois o fácil não me estimula.


*bm*

quarta-feira, 12 de março de 2008

Ahn?! Hein?! Cuma?! - Parte II

Eu falei ali embaixo que eu tenho uma série de manias, das mais justificáveis às mais incompreensíveis. Não nego, e acho ótimo ser dotado destes hábitos que nos fazem seres tão individuais.

Mas relendo o texto lembrei-me de uma delas que é a que mais se apresenta em meu dia-a-dia que é minha tendência a assumir que as pessoas a meu redor ouvem meus pensamentos e iniciar com elas um assunto que já está correndo em minha cabeça, e fazer comentários sem a menor explicação prévia ou introdução do tema.

Elucido. Mas com apenas um exemplo, que é o que me lembro - pois vocês devem lembrar-se que minha memória é fraca, se existente.

Para que vocês, sim, entendam do que estou falando, aí vai uma pequena descrição do cenário. Para entenderem precisam recordar-se de uma novela em que Regina Duarte era uma médica, acho eu, com síndrome de Angelina Jolie e tinha dois filhos adotados: o mais velho, interpretado pelo filho de Sandra de Sá, e Clara, uma criança com síndrome de down quem a avó, a cruel Lilia Cabral, se recusa a criar por conta da doença.

Estamos em casa eu, um amigo e sua mãe assistindo novela. Não, assistir novela não é uma de minhas manias, mas sabe-se lá por que essa noite estávamos os três sentadinhos no sofá frente a TV.

A cena da novela: Regina, seu filho adotivo, sua recém-adquirida filha e alguns amigos estão sentados na mesa de jantar tendo alguma conversa sobre trivialidades.

Meu amigo: Esse é o filho da Sandra de Sá (se referindo ao tal personagem filho de Regina)
Sua mãe: Ah é?!
Eu: É, mas ele é adotado
(Em minha cabeça: E por isso ele, ator negro, está interpretando o filho de Regina, uma senhora caucasiana)
Meu amigo: Não menino, ele é a cara dela [Sandra de Sá]
Eu: Você está louco?!
(Em minha cabeça: ele é negro, ela é caucasiana. Ele teria que no mínimo ter uma aparência mais miscigenada se fosse fruto de um relacionamento com um afro-brasileiro)
Meu amigo: Bruno, do que você está falando?! Ele é a cópia masculina da Sandra.

E aí o mistério foi esclarecido. Eu expliquei as partes da conversa que haviam ficado em parênteses também no formato oral, e todos demos muitas risadas.

Preciso dizer que depois disso nunca mais fui poupado de nenhuma piada, fiquei conhecido como o lerdo do grupo e tenho que ouvir essa história de novo e de novo! Só por que as pessoas não conseguem acompanhar a rapidez de minhas sinapses cerebrais!


*bm*

segunda-feira, 10 de março de 2008

Manias

Tenho mania de me olhar no espelho e ficar tentando adivinhar onde estarao minhas rugas quando eu estiver com uns 40 ou 50 anos de idade.

Tenho mania de amaldiçoar qualquer ruga que apareca em meu rosto antes da meia-idade. E fico esticando a pele para ver como ficaria se fizesse um lift ou aplicasse botox.

Tenho mania de roer unhas. E depois ainda cuspo os pedacos bem longe. Eu sei, é nojento! Mas é minha mania, ora!

Tenho mania de começar a rir da forma mais aleatória possível, lembrando de algum evento ou situação que já se passou há muito. E que provavelmente para os outros a volta não foi tão engraçado.

Tenho mania de achar que estou engordando demais. E aí, quando começo a emagrecer acho que estou emagrecendo demais.

Tenho mania de achar que estou doente. A cada programa que assisto falando de alguma mazela recém-descoberta eu penso “caramba, eu só posso ter isso”.

Tenho mania de fazer desenhos desconexos, rostos femininos com cortes de cabelo modernosos, bonequinhos cartoons cheios de tatuagens e piercings. E claro, assim que ficam prontos eu tasco tudo no lixo para que ninguém veja minhas deformidades graficas!

Tenho mania de fica buscando erros de português na fala alheia. Essa mania é chata, por que ainda não desenvolvi a mania de corrigir as pessoas. Aliás, mania nao, talento!

Tenho mania de mudar de vida a cada dois anos. Esta começou ha 23 meses atrás. Logo, está chegando dia de mudança!

Tenho mania de segurar meu queixo com a mao direita, toda vez que estou sentado e alguém está falando comigo. Acho que dá um ar de “estou prestando atencao”. Nem sempre é verdade.

Tenho mania de apoiar minha cabeca apenas com o meu dedo indicador (e o cotovelo sobre a mesa ou braco do sofa). Coisa de v***o. Eu sei, mas eu nem percebo que estou na posicao explanatória.

Tenho mania de sonhar com viagens para lugares longínquos com as pessoas que mais amo.

Tenho mania de imaginar negócios surreais com meus amigos. Como “As Fadas de Ogmo” ou uma Agência de Consultoria de Empreendimentos Absurdos, onde o recepcionista nao falaria absolutamente nada e teria uma expressão psicopáta! Uma espécie de Björk, um pouco mais louca.

Tenho mania de ter idéias desconexas. E tenho mania de achar que são conexas.

Tenho mania de assumir que as pessoas sabem do que estou falando e sair fazendo comentários sobre o tal assunto que na verdade só está na minha cabeca.

Estas sao apenas algumas das muitas manias que tenho. A principal e mania de ter manias!

*bm*

quinta-feira, 6 de março de 2008

Bicoito da sorte

Sem tempo pra terminar o texto de hoje, mas deixo um bicoito da sorte virual.











_Clarissa

terça-feira, 4 de março de 2008

Analisando a embalagem




O tal pano mágico citado na embalagem não é nenhum tipo de tecido que faz brotar pombas brancas e coelhos ou desaparecer pessoas (infelizmente!). É uma flanela que limpa peças de prata. Uma beleza pra quem, como eu, só usa brincos, anéis, pulseiras e brincos desse material. Funciona, mesmo.


Agora vamos analisar a imagem:



. O mago tem uma cara de atrapalhando. Não me parece que a intenção original dele era deixar as peças brilhando.



. Observem as figuras: travessas de inox, talheres, torneira, pulseira... até aqui tudo bem. Ai começa: uma tuba*? Uma moto dourada? Um carro pick-up?



A flanelinha tem uns 10 x 10 cm. Não dá pra imaginar alguém polindo um carro ou uma moto com ela. E afinal, existe cera para automóveis.



Também custo acreditar que alguém vá usá-la na torneira da cozinha ou do banheiro.


A ânsia de mostrar que a flanelinha tem mesmo utilidade foi muita.



_Clarissa